Reciclagem muito bem passada

sabado, 14 de Maio, 2017

JBS Ambiental é um caso à parte de excelência sustentável

Em 14 anos de ativa sem estardalhaço, a JBS Ambiental virou um ponto fora da curva no setor de reciclagem no Brasil. Não se sabe de frigorífico algum possuidor de recicladora e, para aumentar a singularidade, que a opere como unidade de negócios e submeta sua gestão às normas de governança corporativa (compliance) vigentes para o mercado de capitais. Há cerca de um ano, a JBS Ambiental soma ao trabalho desenvolvido para a corporação JBS, maior produtora de proteína animal do planeta, a oferta à praça de seus serviços de reciclagem de resíduos industriais e pós consumo, uma operação na qual o reaproveitamento de poliolefinas se destaca a ponto de a empresa produzir embalagens flexíveis de plástico recuperado para uso interno do grupo. Nesta entrevista, Andressa De Mello, diretora da JBS Ambiental, abre o perfil e a trajetória da operação.

Andressa De Mello: JBS Ambiental certificada com Selo Nacional de Plásticos Reciclados.

PR – Alimentos são o negócio por vocação (core value) do grupo JBS. Qual a motivação concreta para constituir em 2003 uma controlada, JBS Ambiental, totalmente fora desse foco? 

Andressa De Mello – Diante do alto volume e diversidade de resíduos gerados nos frigoríficos e indústrias da JBS, que enfrentavam desafios para o descarte consciente de embalagens, e com a amplitude logística do território nacional, foi criada a JBS Ambiental. Dessa forma, o escopo de trabalho da unidade de negócio foi ampliado ao longo dos anos e, hoje, tem a logística reversa e a valorização dos resíduos como diretrizes fundamentais. A JBS Ambiental realiza o gerenciamento dos resíduos em sua matriz, em Lins (SP), e em 10 filiais em unidades da companhia no Brasil, além de receber material de terceiros e oferecer o serviço de gestão de resíduos ao mercado. Nos últimos três anos, gerenciamos mais de 55.000 toneladas de resíduos, entre plástico, papel, metal etc.

PR – Como avalia a trajetória da JBS Ambiental, em termos de taxa média anual de crescimento da produção de reciclados em geral, de 2003 a 2016?

Andressa De Mello – A base do trabalho da JBS Ambiental é gerir e reaproveitar os resíduos industriais e pós-consumo, monitorados desde a entrada do material à destinação final. Com isso, cerca de 960 toneladas de materiais foram reciclados em 2003. Em 2011, esse número saltou para 12.000 toneladas e, em 2016, superou a faixa de 26.000. Em 13 anos, o montante de reciclados ficou 27 vezes maior, somando 260%, em relação à operação inicial.

PR – Como situa a participação dos plásticos no total reciclado pela empresa em 2016?

Andressa De Mello – Gerenciamos mais de 100 tipos de resíduos e plásticos compõem 22% deles. Em 2016, a JBS Ambiental reciclou mais de 32.500 unidades de lâmpadas e quase 200.000 litros de óleo. Na esfera do plástico, foram recuperadas 5.500 toneladas, oriundas das plantas do grupo e outras fontes. O volume de plástico reciclado na unidade de Lins representa 23% do consumo total do material pelo grupo no Brasil. A JBS Ambiental recicla embalagens ou materiais plásticos que já foram utilizados no processo produtivo da companhia, a exemplo de aventais, capas de proteção, sacos para armazenamento em geral e embalagens danificadas. Não reciclamos o refugo das transformadoras que fornecem embalagens para o grupo. Nossa unidade de negócios também recebe resíduos de fontes como cooperativas e outras indústrias. Vale ressaltar que a JBS mantém parceria com a Cooperativa dos Recicladores de Penápolis, no interior de São Paulo, como parte de um programa da companhia que visa apoiar o desenvolvimento de cooperativas, aumentar o índice nacional de reciclagem e atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos. A propósito, fora os sacos e materiais plásticos reciclados, a JBS Ambiental produz embalagens de resina virgem para determinados alimentos e grânulos de plástico reciclado utilizados pelo grupo em outros processos.

Central de triagem: plástico em destaque na recuperação.

PR – Por quais motivos a JBS Ambiental passou a oferecer, a partir de 2016, seus serviços de gerenciamento de resíduos até então centrados no reaproveitamento de sucata do grupo?

Andressa De Mello – Devido à preocupação da unidade com questões ambientais. Ao longo de um ano, uma empresa pode gerar toneladas de resíduos, na maioria dos casos seu descarte é inadequado. Muitas indústrias relatam não ter suporte e apoio para o manuseio correto desses materiais e, pensando nisso, a JBS Ambiental se preparou para oferecer seus serviços a quem deseja possuir negócios sustentáveis e responsáveis. Por oferecermos rastreabilidade dos resíduos, as empresas têm mais segurança de que todo o material gerado é destinado de forma correta, com toda a documentação pertinente, verificadas por auditorias periódicas in loco. Um dos nossos principais focos é o chamado Ciclo Fechado, um processo que permite que os reciclados sejam reinseridos dentro da empresa na forma de outras matérias-primas ou produtos.

PR – O setor de reciclagem de plástico está superlotado de concorrentes. Quais os diferenciais acenados pela JBS Ambiental?

Andressa De Mello – Um deles é o trabalho com a rastreabilidade dos resíduos. Ou seja, a companhia sabe de onde vem o resíduo e seu sistema de gerenciamento lhe permite garantir ao fornecedor que determinado resíduo teve, de fato, uma destinação correta. Isso tudo acontece porque essa sucata é contabilizada e fiscalizada via planilhas de controle, sistemas e notas. Outro diferencial: nossos investimentos na gestão de processos de reciclagem, incluindo o gerenciamento e o desenvolvimento do quadro de pessoal. Além disso, a JBS Ambiental segue as mesmas regras de compliance de uma companhia listada em bolsa, uma postura singular no mercado de reciclagem e foi recentemente certificada com o Selo Nacional de Plásticos Reciclados (Senaplas) concedido pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) , pelo qual se compromete a cumprir a legislação de proteção de trabalho do menor, inclusive na aquisição de resíduo para reciclagem.

Aventais plásticos: resíduo reciclado pela JBS Ambiental.

PR – Todos os artefatos de plástico reciclados que a JBS Ambiental produz são flexíveis. Por que não entra em produtos rígidos?

Andressa De Mello – Sempre estudamos oportunidades que possam ampliar o leque de serviços oferecidos à empresa e ao mercado. Quanto ao destino dos seus manufaturados de plástico reciclado, a JBS Ambiental trabalha, prioritariamente, atendendo a demanda dos negócios da companhia.

PR – A JBS Ambiental produz capas de polietileno reciclado para proteger couros da companhia na sua produção, comercialização e para evitar contaminações e eventuais danos no transporte. Como tem evoluído o esquema de exportações intragrupo dessas capas?

Andressa de Mello – A JBS Ambiental ampliou a sinergia entre os negócios da companhia ao iniciar, em julho de 2016, a exportação de capas plásticas para as operações da JBS Couros na Argentina e no Paraguai. O volume de exportação para o primeiro semestre deste ano será 91% maior perante o do segundo semestre de 2016, quando cerca de 5,5 toneladas foram enviadas para os dois países. A unidade da JBS Couros no Uruguai será a próxima a aderir ao sistema, que deve receber cerca de 5 toneladas de capas plásticas até junho próximo.